Escrito por Elaine Medeiros

Durante a palestra sobre “Logística Reversa – Recuperação dos produtos sob a ótica da sustentabilidade e negócios”, o palestrante Ricardo Tiltscher, diretor de divisão de customer service da Sansung, foi categórico ao afirmar que a partir do ano que vem o fabricante será o principal responsável pelos problemas ou descarte definitivo dos produtos que vende.
“A marca pode ser autuada, por exemplo, se não proporcionar o descarte adequado dos objetos”, explica. Por conta disso, ele destaca que o papel da logística reversa – processo de retorno do material, desde o ponto de consumo até o ponto de origem – torna-se ainda mais relevante. “Em um futuro próximo esse retorno vai poder gerar valores e oportunidades de negócios inclusive para o Brasil”, ressalta.
Atualmente os produtos descartados por empresas como a dele costumam ser direcionadas para uma revenda de mercado primário, reparações e consertos, seguem para um desmanche ou para serviços de reciclagem industrial. Mas como há apenas 16 empresas recicladoras certificadas no País, Tiltscher acredita que “o Brasil ainda não está preparado para explorar esse tipo de negócio voltado para a reciclagem, por exemplo, de resíduos eletroeletrônicos”. Na visão dele a maioria apenas presta o serviço de separação de resíduos.
Independente disso, pela sua experiência, ele alerta que o consumidor brasileiro está consumindo e descartando produtos em um curto espaço de tempo, seja pelo aumento do poder aquisitivo ou pelo excesso de oferta. “Sendo assim, o varejo possui um papel crucial no que compete a tornar-se um ponto de coleta de produtos danificados, que podem ser retirados posteriormente pela indústria”.
Em suma, Tiltscher conclui que a logística reversa ainda é considerada uma área de baixa prioridade, que reflete um pequeno número de empresas com profissionais dedicados. “Mas essa realidade está mudando, por conta das pressões e do rigor da legislação ambiental, e da necessidade do fabricante em reduzir seus custos”.